FPSO Búzios 12: o que é o P-91 e o que representa para fornecedores brasileiros
- Andresa Marques

- 4 de jun.
- 4 min de leitura
A Petrobras prorrogou para 09 de setembro de 2026 o prazo para envio de propostas da oportunidade 7004433974, o contrato para fornecimento do FPSO Búzios 12 - futuro P-91. O que está em jogo é um dos maiores contratos offshore já licitados no Brasil, e as implicações para a cadeia produtiva nacional vão muito além da empresa que vai vencer a disputa.
O que é o Búzios 12?
O Campo de Búzios, localizado na Bacia de Santos (RJ), é o maior campo de petróleo do Brasil em operação. A Petrobras mantém a operação e a participação majoritária de 88,99%, com as estatais chinesas CNPC (3,67%) e CNOOC (7,34%) como sócias.
O FPSO Búzios 12 - denominado P-91, será a décima segunda unidade de produção instalada no campo. Com capacidade de processar até 180 mil barris de petróleo por dia e 12 milhões de m³ de gás natural diários, a plataforma estará conectada a 16 poços: oito produtores e oito injetores alternados de água e gás.
Além da produção direta, o P-91 terá função estratégica como hub de exportação de gás natural, recebendo volumes de outras plataformas do campo e escoando pelo Gasoduto Rota 3 até o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ).
O modelo BOT e o que muda nessa contratação
A contratação do Búzios 12 não segue o modelo convencional de compra de uma unidade pronta. O contrato adota o formato BOT - Build, Operate and Transfer, no qual a empresa selecionada será responsável pelo projeto, construção e montagem da plataforma, pela sua operação inicial e, apenas após esse período, pela transferência definitiva para a Petrobras.
Na prática, isso significa que a empresa contratada assume responsabilidades muito além de uma empreiteira tradicional. Ela precisará demonstrar capacidade técnica, financeira e operacional para gerir uma das maiores unidades de produção offshore do país antes de entregá-la ao contratante.
Esse modelo traz implicações diretas para a licitação: os critérios de habilitação são significativamente mais rigorosos, os requisitos de qualificação técnica e econômica são elevados, e o edital, conduzido pelo Regulamento de Licitações e Contratos da Petrobras, sob o amparo da Lei 13.303/2016, tem particularidades que o diferenciam de qualquer licitação convencional.
A participação das estatais chinesas
A presença de CNPC e CNOOC no Campo de Búzios coloca a disputa pelo Búzios 12 em outro patamar competitivo. Grandes grupos internacionais com experiência em projetos offshore de alta complexidade já conhecem esse mercado. Para empresas brasileiras, o caminho não é competir diretamente na disputa principal, é garantir espaço na cadeia de fornecimento.
E é exatamente aí que o edital abre uma porta.
O conteúdo local de 25%: onde está a oportunidade para empresas brasileiras
A Solicitação de Envio de Propostas estabelece percentual mínimo de 25% de conteúdo local. Isso significa que a empresa vencedora será obrigada a contratar serviços, equipamentos e mão de obra de origem nacional em pelo menos um quarto do valor total do contrato.
Para um contrato da magnitude do Búzios 12, esse percentual representa valores expressivos, distribuídos entre os mais diferentes segmentos: engenharia naval e offshore, fabricação e fornecimento de equipamentos industriais, serviços de manutenção e montagem, tecnologia e sistemas de controle industrial, logística e suporte operacional offshore, construção civil e instalações industriais.
Empresas que já fornecem para o setor de óleo e gás e que possuem certificações técnicas compatíveis com as exigências da Petrobras têm posição privilegiada para integrar essa cadeia. Para quem ainda não está cadastrado na Petronect, o momento de iniciar o processo é agora, não quando o contrato já estiver assinado e as subcontratações em andamento.
Como participar: Petronect e o edital
A licitação do Búzios 12 é conduzida inteiramente pela Petronect, o portal de compras da Petrobras, sob as regras do RLCP e da Lei 13.303/2016.
O edital já está disponível no portal. O prazo para envio de propostas foi prorrogado para 09 de setembro de 2026.
O caminho para participar envolve: cadastro e habilitação ativa na Petronect, acesso à oportunidade nº 7004433974, leitura integral do edital e de todos os seus adendos, atendimento aos requisitos técnicos e econômicos estabelecidos, e envio da proposta dentro do prazo.
Para empresas que nunca participaram de uma licitação da Petrobras, é importante compreender que o RLCP tem especificidades que não se aplicam ao regime da Lei 14.133/2021. Prazos, documentação, lógica de recurso e critérios de habilitação seguem estrutura própria e conhecer essas diferenças pode ser determinante para uma participação bem-sucedida.
O que o Búzios 12 representa para o setor?
O P-91 não é apenas mais um contrato da Petrobras. É uma unidade que estará no centro da estratégia de expansão da produção nacional de petróleo e gás, com papel de hub logístico para outras plataformas do campo e conexão direta ao maior complexo de processamento de gás do Brasil.
Contratos dessa magnitude movimentam cadeias produtivas inteiras. As empresas que se posicionam antes da adjudicação, mapeando requisitos, regularizando cadastros e avaliando capacidade técnica são as que chegam preparadas quando as subcontratações começam.
O prazo de setembro ainda permite tempo hábil para essa preparação.
AM Inteligência Jurídica: assessoria em licitações Petrobras
A AM Inteligência Jurídica assessora empresas em licitações da Petrobras e de outras estatais, desde a análise do edital e dos requisitos de habilitação até o acompanhamento das etapas da contratação sob o regime do RLCP e da Lei 13.303/2016.
Se sua empresa atua no setor de óleo e gás, engenharia offshore, manutenção industrial ou qualquer segmento com potencial de integrar a cadeia de fornecimento do Búzios 12, entre em contato para entender como se posicionar nessa oportunidade.
WhatsApp: (71) 99707-3310 Site: aminteligenciajuridica.adv.br



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